Betinha e a Árvore dos Sonhos
Existia uma cidade onde tudo era em
preto e branco. Os bancos, prédios, praças e até mesmo os sonhos das pessoas
que lá moravam. Todos viviam uma única realidade, a realidade do preto e
branco. Sorvete não tinha sabor, no parque não havia calor e na escola alegria
não existia. Tudo ali era sem graça até mesmo o palhaço lá da praça.
E lá morava Betinha, uma garotinha pequenininha,
mas com sonhos tão grandes que mal cabiam em seus pensamentos. Sonhos eram
muitos, mas o maior sonho de todos os sonhos, era de um dia ver aquela cidade
cheia de vida, colorida, quentinha, cheia de sabor e com muita cor.
Todas as noites antes de dormir,
Betinha ficava ali parada em sua cama. Fazendo sua oração, nem sabia porque fazia
aquilo, mas contaram a ela que lá em cima, bem acima das nuvens existia um
grande Senhor, daquele do tipo da lâmpada mágica que podia transformar lagarta
em borboleta. Então pediu para que houvesse um jeito de transformar aquela
cidade cheia de infelicidade na cidade das oportunidades.
Perto de sua casa, existia um mercadinho que vendia muitas coisinhas, mas o que
realmente chamou sua atenção foi aquela sementinha, bem lá no alto da
prateleira, perto de uma chaleira e na sua embalagem que dizia: Árvore dos
sonhos.
A menininha muito se interessou e
para o vendedor perguntou:
É
muito caro?
E o moço com sorriso no rosto,
respondeu:
- Pra você é de graça.
E Betinha não entendeu o porque de
não pagar se ali era um lugar para se comprar, mesmo assim aceitou.
E o vendedor um pacote lhe
entregou, dentro de uma sacola, as
sementinhas desejadas, e lhe deu apenas um aviso:
- Plante apenas se tiver certeza,
pois depois que estiver na terra não tem como voltar atrás.
E lá foi a garotinha...
Betinha correu pra casa, com a
sementinha escondida, mal falou com sua família. Foi direto para o quarto e
estava decidida:
- Vou acabar com estes dias
descoloridos. No meu sonho todos da cidade farão parte dos escolhidos, para
viver num mundo muito mais bonito.
No dia seguinte correu para um terreno,
e seria ali mesmo que nasceria a árvore dos sonhos de Betinha.
Jogou a sementinha, regou com muita
aguinha, uma pitada de esperança e doses duplas de alegria.
Não demorou muito e a terra começou
a tremer, e a árvore começou a crescer.
Betinha no começo se assustou, mas
logo se animou. Era sua árvore que crescia e junto dela o fim daqueles dias em
que sua cidade não tinha cor, e o sorvete começou a ter sabor, no parque muito
calor e na a escola era só felicidade, e na praça até o palhaço agora fazia
graça.
Sua árvore cresceu com tronco forte
e bem marrom, com folhas verdes e bem vistosas e frutos grandes como os sonhos
daquela garotinha chamada Betinha.
E você, já plantou sua sementinha?
Escrito por Solange
R. Leoni
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